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  • Livro “Boi, Boiada, Boiadeiro” de Ruth Rocha e José Antonio da Silva

    Date: 2012.04.29 | Category: CECMundoRural | Response: 0

    Bom Dia Amigos do Mundo Rural!

    Recomendamos a tod@s o livro “Boi, Boiada, Boiadeiro” de Ruth Rocha e José Antonio da Silva, lançado em 1987 pela Quinteto Editorial.  Vejam abaixo a bela poesia de Carlos Moraes que está na contra-capa do livro.

    Texto de apresentação do livro: “Boi, Boiada, Boiadeiro” de Carlos Moraes:

    Essa não. Quem pode com tanta beleza? Ruth Rocha e José Antonio da Silva num livro só. Agora é que a Quinteto se luziu de vez.

    A Ruth, cruz credo, bem sabia, é escritora juramentada e da mais alta magicação: escreveu mais de setenta livros para crianças.

    Essa Ruth rural, de viola, é que pra mim é novidade.

    Mas quê! No fundo, somos todos rurais. No raso, dizem as estatísticas, o Brasil hoje tem mais gente na cidade do que no campo.

    Corpo de gente. A alma vai mais devagar. Pega a tua alma, irmão urbano, pega a tua alma e sacode na janela num dia de sol — que que cai? Cai pitanga, broinha de milho, música de carreta, sapinho de lagoa, pedra de bodoque, titica de cabrito, jabuticaba.

    Cai tudo o que o Silva pinta e a Ruth com versinhos borda.

    Esse Silva. Nunca teve escola. Pinta com pura luz de boitatá, força de lobisomem, alegria de saci, tristeza de alma penada, beleza de fada, e todas as magias da terra bruta. E é assim, pingando barro, que chega aos mais importantes museus do mundo.

    Este livro. Este livro vale pelo que valemos todos nós: por uma certa candura que sobra. O vivente humano, que faz? Campereia, campereia por este mundo velho, junta aqui, amontoa ali, e o que sobra de precioso, quando sobra, é certa candura de ver o mundo. A doce e suprema inteligência da ingenuidade. Daquela ingenuidade que vai mais longe e fundo do que toda a esperteza deste mundo.

    Olha aonde nos levou o Brasil dos espertinhos. A uma dívida que vamos morrer pagando e a um tesouro em dólares, quase do tamanho da dívida, velhacamente enrustidos no Exterior. Mas deixa eles, os espertinhos. Eles estão muito bem retratados na lira caipira de Ruth Rocha. Deixa eles aí, dolarizando a miséria alheia e se safenando todos. Nós temos outros tesouros, outras boiadas.

    Nós temos este livro, esta bruxaria de cores, estes versos, esta ingenuidade fecunda.

    Viva Ruth Rocha. Viva José Antonio da Silva. Viva a candura do povo!

    Saudações, Prof. Fábio Fernandes Villela.

  • O Patrono do Centro de Estudos e Culturas do Mundo Rural – José Antônio da Silva

    Date: 2011.04.17 | Category: CECMundoRural | Response: 0

    O patrono do Centro de Estudos e Culturas do Mundo Rural é o artista plástico José Antônio da Silva (1909-1996).

    Visite o Museu On-Line do artista:  http://www.riopreto.sp.gov.br/PortalGOV/do/subportais_Show?c=35171

    Uma frase famosa do artista é a seguinte: “Não admito que me chamem de primitivo, caipira ou ingênuo. Tem que me chamar de gênio. Já provei que sou”. “Há anos me chamam de gênio. Apenas endosso. Não tenho complexo de inferioridade”.

    O pintor José Antônio da Silva, nasceu em 1909 na cidade de Sales de Oliveira, interior paulista. Trabalhador rural, na infância conduzia bois junto com o pai. Por isso, a imagem de destes animais sempre esteve muito presente em sua obra. Viveu de fazenda em fazenda, e há dúvidas sobre quando começou a pintar.

    Em um de seus livros, “Romance de minha vida”, ele conta que desenhava desde pequeno, em folhas de café e na areia. Mas também fala que fez visitas ao céu e ao inferno, portanto há que se analisar cuidadosamente suas palavras.

    O certo é que em 1930 Antônio foi para São José do Rio Preto, onde fez sua primeira exposição em 1946 e foi “descoberto” pelos críticos Paulo Mendes de Almeida e Lourival Gomes.

    Estes se empenharam para trazer sua obra para São Paulo, o que aconteceu em 1948, ano de sua primeira exposição individual na Galeria Domus. O sucesso foi grande e entre os compradores de sua obra estava Pietro Maria Bardi, que adquiriu 10 quadros para o Museu de Arte de São Paulo.

     Foi aceito para a primeira Bienal, em 1951, teve um quadro seu incorporado ao acervo do Museu de Arte Moderna de Nova York, fez exposições internacionais. Mas sua mais célebre exposição talvez tenha sido a que não participou: a quarta Bienal. Deixado de fora pelo júri, que incluía Lourival Machado, Silva ficou profundamente chateado e irritado. Certa noite acordou e disse à sua esposa que iria matar os membros do júri. No entanto, ao invés de fazê-lo literalmente, foi para seu ateliê e pintou o enforcamento dos cinco membros (O Enforcamento do Júri, 1967, Museu de Arte Primitivista José Antônio da Silva). Em cima da forca, uma figura que lembra Jesus Cristo e que segura uma plaqueta: “A justiça divina não falha”. Fios ligam o pescoço dos enforcados a uma figura ao lado, representando o inferno: “Aqui é o esquinto (sic) dos infernos”. Abaixo dos enforcados, a frase: “(…) o mesmo crítico que mi (sic) deu o título de maior primitivo brasileiro foi o primeiro a me jogar fora da Bienal(…)”.

    Talvez esta obra resuma um pouco da personalidade e obra controvertidas de José Antônio da Silva que, em 1980 recebeu um museu em sua homenagem: o Museu Municipal de Arte Primitiva José Antônio da Silva, em São José do Rio Preto, São Paulo.

    Apesar de sua origem humilde, de seu pouco estudo e domínio da linguagem culta, Silva era conhecido por sua facilidade de expressão, de articulação de idéias e pensamentos, o que o levou a ser, além de pintor, autor de livros, como o “Romance de minha vida”, publicado em 1949, “Maria Clara” em 1970 e “Sou pintor, sou poeta” em 1981.

    As cores vibrantes, um colorido quase circense, dão tom às suas obras. Primitivista, teve como tema constante em suas telas o ambiente rural, principalmente cenas onde aparecem bois e plantações, e também as manifestações culturais do povo, como os ritos religiosos. Como ele mesmo explicou em seus versos: “pinto a lavoura/ Também pinto as pastaria/ Pinto a empregada e a patroa/ Pinto a Joana e a Maria./ Pinto carroça e carreta/ Pinto carro e carretão/ Pinto o pedreiro na picareta/ Pinto o colono no enxadão” (em “Sou pintor, sou poeta”, de 1982).

    Sua última exposição individual foi no museu de Arte Sacra em São Paulo: “A paixão e morte de Nosso Senhor segundo Silva”.

     José Antônio Silva morreu em 1996, na cidade de São Paulo.

    Cronologia

    1909 – Nasce na cidade de Sales de Oliveira, São Paulo;

    1931 – Muda-se para São José do Rio Preto;

    1946 – Participa da exposição inaugural da Casa de Cultura de São José do Rio Preto, onde é “descoberto” por críticos;

    1948 – Faz sua primeira exposição individual, na Galeria Domus, em São Paulo;

    1949 – Publica o livro “Romance de minha vida”, editado pelo MAM/SP;

    1951 – Participa da I Bienal Internacional de São Paulo;

    1952 – Expõe na XXVI Bienal de Veneza;

    1966 – Grava os LPs “Registro do Folcore mais autêntico do Brasil”;

    1967 – Pinta o “Enforcamento do Júri”, em protesto por ter sido deixado de fora da quarta Bienal Internacional de São Paulo;

    1970 – Exposição individual no MAM/SP;

    1978 – Curta-metragem dirigido por Augusto Calil: “Quem não conhece o Silva?”;

    1980 – É fundado o Museu de Arte Primitiva José Antônio da Silva, em São José do Rio Preto;

    1990 – Prêmio de melhor retrospectiva da APCA;

    1996 – Morre na cidade de São Paulo.

    Retirado do Catálogo da Exposição Silva: Pinturas 1947 / 1995. São Paulo: Pinacoteca, 1999.

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