• O Projeto Terra Paulista: Histórias, Arte, Costumes

    Date: 2012.02.08 | Category: CECMundoRural | Tags: ,,,,,,,,,,,,,,,,

     

    Bom Dia Amigos do Mundo Rural!

    Terra Paulista: Histórias, Arte, Costumes é um projeto do Cenpec – Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária, uma organização não governamental com atuação e experiência de quase duas décadas no contexto da sociedade brasileira. Elaborado por uma equipe multidisciplinar, o projeto Terra Paulista tem como objetivo estimular um olhar crítico de educadores, alunos e do público em geral para a formação e o desenvolvimento cultural do Estado de São Paulo, especialmente do interior. Pela primeira vez, a região é apresentada por meio de um amplo e detalhado projeto editorial a respeito da sua produção cultural. O resultado dessa pesquisa foi disponibilizada, em sua primeira fase (2003/2005), nos seguintes produtos, formatados em mídias diversas:

     – Coleção Terra Paulista: três livros com textos inéditos e iconografia comentada;

     – Documentários: série de 12 documentários – Vale do Médio Tietê, Vale do Paraíba e Oeste Paulista;

     – Série Terra Paulista – Jovens – conjunto de materiais paradidáticos (10 fascículos, 1 almanaque e 3 jogos de tabuleiro) distribuídos gratuitamente, por meio de parceria com a Secretaria de Estado da Educação, a 890 escolas da rede pública do Estado, que receberam também, curso de capacitação;

     – Portal na Internet: www.terrapaulista.org.br

     -Exposição Interativa Terra Paulista: no SESC Pompéia, de 20/09 a 11/12/2005, que contou com a presença de cerca de 90 mil visitantes.

    A primeira etapa do projeto abordou três regiões consideradas importantes no desenvolvimento histórico e econômico da formação do Estado de São Paulo, compreendendo o período do século XVI às primeiras décadas do XX. As áreas pesquisadas foram o Vale do Médio Tietê, o Vale do Paraíba e o Oeste Paulista nas regiões da Paulista e Mogiana, onde o bandeirantismo, as monções, o tropeirismo e as fazendas de açúcar e café marcaram a sua trajetória.

    No decorrer da história e da elaboração da identidade de um Brasil moderno, os paulistas acabaram por constranger seu passado e seu patrimônio cultural, especialmente o do interior, como se tivessem sido excluídos daquilo que é considerado “cultura brasileira”, calcada especialmente em elementos de Minas Gerais, Rio de Janeiro e Bahia. Na representação hegemônica sobre o Estado de São Paulo valorizou-se o moderno, o industrial, o urbano, o século XX republicano ou as raízes bandeiristas do período colonial.

    Assim, grande parte do passado paulista passou a significar sinal de atraso e o rural passou a simbolizar o precário. O legado cultural do homem simples do campo foi identificado como a negação da modernidade, como a antítese do progresso. A pesquisa empreendida aborda a formação de São Paulo, as diversas manifestações artísticas e os diferentes costumes, revelando aspectos curiosos e muitas vezes desconhecidos para os próprios paulistas. A apresentação do Projeto Terra Paulista no Seminário A cultura caiçara e suas transformações, tem a intenção de mostrar a importância da valorização do nosso patrimônio e a sua divulgação nas escolas e universidades. Ao articularmos cultura e educação, entendemos que esse diálogo cria um potencial fundamental para a construção da cidadania.

    Portanto, cabe-nos mostrar aos próprios paulistas e ao resto do país que possuímos um rico e diversificado patrimônio cultural material e imaterial e que, mesmo apesar da destruição de parte significativa desse acervo tenha sido destruída – em nome do progresso e da modernidade -, ainda temos exemplares materiais e, sobretudo, manifestações culturais vivas e que, se não hegemônicas, fazem parte de nossas raízes e dizem respeito ao múltiplos modos de ser e pertencer do mundo contemporâneo.

    A nova etapa da pesquisa do Projeto Terra Paulista (2006/2007) abordará os processos históricos que marcaram o Estado de São Paulo e o povo paulista no século XX, incluindo as áreas da Fronteira Oeste (Araraquarense, Noroeste, Alta Paulista e Alta Sorocabana), bem como o Vale do Ribeira e o Litoral, regiões cuja ocupação se intensificou nesse período. Grupos indígenas, imigrantes e migrantes serão destacados nesse trabalho, bem como agentes sociais como ferroviários, operários, bóias-frias e caiçaras.

    Texto de Ana Regina Carrara (Historiadora. Coordenadora da Área de Educação e Cultura do Cenpec).

    Download do livro de Maria Alice Setubal – “Vivências Caipiras”: http://www.imprensaoficial.com.br/PortalIO/download/pdf/projetossociais/vivencias_caipiras.pdf