• Folclore Afro-brasileiro

    Date: 2011.08.21 | Category: CECMundoRural | Tags: ,,,,,,

    A ideia de se trabalhar com temas folclóricos, especialmente em música, foi desenvolvido inicialmente em um projeto, no âmbito dos Núcleos de Ensino da Unesp. Os Núcleos de Ensino da Unesp têm por metas prioritárias a produção de conhecimento na área educacional e a formação inicial e continuada do educador, pautadas pela articulação entre ensino, pesquisa e extensão, e nos princípios da cidadania e da justiça social. Dentre os objetivos dos Núcleos de Ensino está o estabelecimento de parcerias com prefeituras, diretoria de ensino, escolas estaduais e municipais, sindicatos e movimentos sociais dispostos a transformar a dinâmica da educação (Cf. Villela, 2019).

    Recuperando a ideia de folclore, a partir de diversas fontes que estão referenciadas no final da postagem, a palavra folclore tem origem no inglês antigo, sendo que “folk” significa povo e “lore” quer dizer conhecimento e/ou cultura. Em 1965, o Congresso nacional oficializou o dia 22 de agosto como o Dia do Folclore, numa justa homenagem à cultura popular brasileira.

    O folclore brasileiro, portanto, é a cultura de nosso povo e não há nada mais nacional do que ele. Afinal, ele é precisamente o conjunto das tradições culturais dos conhecimentos, crenças, costumes, danças, canções e lendas dos brasileiros de norte a sul. Formada pela mistura de elementos indígenas, portugueses e africanos, a cultura popular brasileira é riquíssima.

    Na área musical, por exemplo, são inúmeros e muito variados os ritmos e melodias desenvolvidos em nosso país. É o caso do frevo, do baião, do samba, do pagode, da música sertaneja. Há ainda as danças típicas das festas populares, como o bumba-meu-boi, o forró, a congada, a quadrilha e – é claro – o próprio carnaval, um verdadeiro símbolo de nosso país.

    Um dos aspectos mais interessantes do folclore brasileiro, porém, são os seres sobrenaturais que povoam as lendas e as superstições da gente mais simples. O mais popular é o Saci, um negrinho de uma perna só, que usa um barrete vermelho, fuma cachimbo e adora travessuras, como apagar lampiões e fogueiras ou dar nó nas crinas dos cavalos.

    Mas há vários outros seres fantásticos em nosso folclore: o Curupira, um anão de cabelos vermelhos, que tem os pés ao contrário; a Mula-sem-cabeça, que solta fogo pelas narinas; a Boiúna, cobra gigantesca cujos olhos brilham como tochas; e o Lobisomem, o sétimo filho homem de um casal, que vira lobo nas sextas-feiras de luas cheias, entre outros.

    A Cuca é um dos principais seres mitológicos do folclore brasileiro. Ela é conhecida popularmente como uma velha feia na forma de jacaré que rouba as crianças desobedientes. A origem desta lenda está num dragão, a Coca das lendas portuguesas, tradição que foi levada para o Brasil na época da colonização. No Brasil, a “Cuca” normalmente é descrita como tendo a forma de um jacaré com longos cabelos loiros. Isso na verdade se tornou mais popular por causa das várias adaptações para a televisão da obra infantil de Monteiro Lobato, o Sítio do Pica-Pau Amarelo, onde a personagem era sempre representada por uma atriz com uma fantasia de jacaré de cabelo amarelo. No livro original “O Saci” escrito por Monteiro Lobato em 1921, a personagem é descrita apenas como uma bruxa velha com rosto de jacaré, e unhas compridas como as de um gavião.

    O Novo Dicionário da Língua Portuguesa de Aurélio Buarque de Holanda Ferreira traz cuca significando bicho-papão, coco, papa-gente, tutu, bitu, boitatá, papa-figo. A cuca é um bicho imaginário criado e usado para fazer medo às crianças choronas que não querem dormir. Para Câmara Cascudo, a cuca pode ter três origens. De Santa Coca que aparecia nas procissões da província do Minho, em Portugal. Também no Minho, coca é o nome popular de abóbora que, assim como em nossos dias, era perfurada desenhando-se nela os contornos dos olhos e da boca, e colocando-se uma vela acesa dentro. A terceira possível origem é a partir de “Farricoco”, personagem amedrontador, vestido com uma túnica que acompanhava a procissão de Passos, no Algarve, também em Portugal.

    A Coca

    Vai-te, coca, sai daqui /  Para cima do telhado /  Deixa o menino /  Dormir sossegado /  Nana, neném / Que a cuca vem pegar /  Papai tá na roça / Mamãe foi cozinhar

    A cuca é um papão, um ente fantástico que mete medo às crianças causando pavor. Sua aparência varia de lugar para lugar, mas a maioria das pessoas diz que ela tem a forma de uma velha, bem velha e enrugada, corcunda, cabeleira branca, toda desgrenhada, com aspecto assustador. Ela só aparece à noite, sempre procurando por aquelas crianças que fazem pirraça e não querem ir dormir cedo. Então, a cuca as coloca num saco, levando-as embora para não se sabe onde e faz com elas não se sabe bem o que, mas, com toda certeza, trata-se de algo muito terrível.

    Ela também é chamada de coca ou coco e assombra crianças de Portugal, Espanha, alguns países africanos e tribos indígenas brasileiras. Em alguns lugares ela é um velho, em outros, se parece com um jacaré ou uma coruja. Existem muitas canções e versos sobre a cuca. Luís da Câmara Cascudo, em Geografia dos mitos do Brasil, indica a seguinte cantiga, comum no Nordeste brasileira: “Dorme, neném /

    Se não a cuca vem / Papai foi pra roça / Mamãe logo vem”.

    ***

    Música: A Cuca te Pega (Sitio do Picapau Amarelo)

    Cuidado com a Cuca / Que a cuca te pega /  E pega daqui /  E pega de lá /  A cuca e malvada / E se fica irritada /  A cuca e zangada /  Cuidado com ela /  A cuca e matreira /  E se fica zangada / E cuca e danada / Cuidado com ela / Cuidado com a cuca / Que a cuca te pega / E pega daqui / E pega de lá / A cuca e malvada / E se fica irritada /  A cuca zangada /  Cuidado com ela /  Cuidado com a cuca /  Que a cuca te pega / A cuca e danada / Ela vai te pegar.

    No trabalho desenvolvido nos Núcleos de Ensino da Unesp, supracitado, nós abordamos alguns tópicos da área de Geografia e Música, para a realização de oficinas, que tiveram como propósito conformar “Círculos de Cultura” para alunos do Ensino Fundamental. Um dos tópicos foi desenvolvido a partir da música: “Milho Verde” de José Afonso, pertencente ao LP “Cantigas do Maio”, álbum de estúdio de José Afonso, lançado em 1971. Convidamos a tod@s a ler o texto, (link abaixo nas Referências), que está no livro: “Tambores, urucuns e enxadas: práticas e saberes contribuindo para a formação humana” (Cf. Villela, 2019) e deixar um comentário sobre a temática “Folclore Afro-brasileiro” no blog de aula. Boa leitura!

    Referências

    Núcleos de Ensino da UNESP: https://www2.unesp.br/portal#!/prograd/nucleos-de-ensino17175/apresentacao/

    VILLELA, Fábio F. Cultura ambiental na educação do campo: trabalhando com paisagem, saberes tradicionais e música folk com a juventude do território caipira In: SPIGOLON, Nima I. et al. Tambores, urucuns e enxadas: práticas e saberes contribuindo para a formação humana.1 ed. Ituiutaba, MG: Barlavento, 2019, v.1, p. 542-560. Link para baixar o livro: https://asebabaolorigbin.files.wordpress.com/2019/11/tambores_urucuns_enxadas.pdf

    Datas comemorativas, texto retirado de: http://educacao.uol.com.br/datas-comemorativas/ult1688u12.jhtm

    Sobre a Cuca, texto retirado da Wikipedia: http://pt.wikipedia.org/wiki/Cuca

    CASCUDO, Luís da Câmara. Dicionário do folclore brasileiro. Rio de Janeiro, Instituto Nacional do Livro, 1954 (9ª edição: Rio de Janeiro, Ediouro, sd.)

    _____. Geografia dos mitos brasileiros. 2ª ed. São Paulo, Global Editora, 2002, p.203-207.

    AMARAL, Amadeu. O dialeto caipira. 4ª ed. São Paulo, Hucitec / Brasília, Instituto Nacional do Livro, 1981, p. 121-122.

    Música: “A Cuca Te Pega”, composição de Dori Caymmi e Geraldo Casé com Cássia Heller: http://letras.terra.com.br/cassia-eller/402196/

    Algumas informações foram retiradas de: http://www.jangadabrasil.com.br/revista/galeria/ca70009f.asp

    Música “Milho Verde” de José Afonso, pertencente ao LP “Cantigas do Maio”, álbum de estúdio de José Afonso, lançado em 1971: https://www.letras.mus.br/jose-afonso/67148/