Posts Tagged ‘patrimônio histórico’

  • O Maior Professor de Viola Caipira do Brasil: Enúbio Queiroz

    Date: 2012.09.08 | Category: CECMundoRural | Response: 0

    Bom Dia Amig@s do Mundo Rural!

    Deixamos aqui nossa homenagem ao grande professor de viola caipira Enúbio Divino Queiroz. Saudações, Prof. Fábio Fernandes Villela. Enúbio nasceu no primeiro dia de outubro do ano de 1953, numa fazenda perto das “Duas Vendas”, no município mineiro de Iturama. Seu contato com a musica começou cedo. Seu pai, Rodolfo Ferreira de Queiroz, e seu avo, João Martins de Queiroz, eram catireiros e cantadores muito queridos na região. Sua avó Gerônima, que tinha ouvido apuradíssimo, costumava cantar as canções da época, em bocca chiusa, todas as noites, para o menino Enúbio dormir e, talvez, sonhar com seu futuro de violeiro. Seu primeiro instrumento foi um cavaquinho, tocado com garra no conjunto de forro que animava as festas e bailes da região. Foi nessa época que Otaviano Francisco da Silva, o “Baiano”, parceiro do moço Enúbio nas modas e cantorias, deu-lhe as primeiras lições de violão.

    Mas a teoria veio mesmo com Sebastião Pandolfi, maestro da banda municipal de Iturama. Em seguida, sempre buscando o aperfeiçoamento, Enúbio instala-se em Uberaba, iniciando os estudos de violão clássico no Conservatório Renato Frateschi, com o professor Olegário Bandeira. Tempos depois, Enúbio embarca para Goiânia, ocasião em que toma aulas com Eurípides Fontenelli. O tempo passa e o musico Enúbio continua suas viagens, sempre em busca de oportunidades e mais conhecimento musical. Transfere-se para São José do Rio Preto, próspera cidade do noroeste paulista, e matricula-se no Conservatório Musical Carlos Gomes. Estuda violão com a professora Lela e canto com a professora Mirtes. Os estudos clássicos encerram-se em São Paulo, com aulas do professor Paulo Barreiro. Porém as raízes mineiras falam mais alto e Enúbio, já professor de violão, busca inspiração nas cordas harmoniosas e tristes do mais brasileiro dos instrumentos musicais: a viola. Participa com João Roberto Costa da dupla Economista & Contador e lança dois discos. Um terceiro vinil e gravado com outro parceiro, Abssoir José Correia. A viola fica cada vez mais enxuta e criativa. Os solos choram cristalinos, quer nas criações próprias, quer na releitura de clássicos da musica popular brasileira e mundial. E vem os CDs Viola Refinada I e Viola Refinada II, lançados pela Movieplay. Mas o lado “professor de musica” permanece vivo, ainda mais forte agora, com o oportuno lançamento deste “Repertório de Ouro para Viola Caipira”. (Texto retirado de: http://www.enubioviola.com.br/index.html).

    O que é a Viola Caipira? Para quem não conheçe, vejam o texto abaixo retirado da Wikipedia.

    Viola Caipira

    Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
    Viola caipira
    Viola caipira com belo trabalho de marchetaria.
    Classificação
    Hornbostel-Sachs
    * Instrumento de cordas

    • Cordofone

    Viola caipira, também conhecida como viola sertaneja, viola nordestina, viola cabocla e viola brasileira, é um instrumento musical de cordas. Com suas variações, é popular principalmente no interior do Brasil, sendo um dos simbolos da música popular brasileira.

    Origem

    Tem sua origem nas violas portuguesas, oriundas de instrumentos árabes como o alaúde. As violas são descendentes diretas da guitarra latina, que, por sua vez, tem uma origem arábico-persa.[1] As violas portuguesas chegaram ao Brasil trazida por colonos portugueses de diversas regiões do país e passou a ser usada pelos jesuítas na catequese de indígenas.[1]Mais tarde, os primeiros caboclos começaram a construir violas com madeiras toscas da terra. Era o início da viola caipira.

    Tipos de viola

    Viola caipira em exposição.

    Existem várias denominações diferentes para Viola, utilizadas principalmente em cidades do interior: viola de pinho, viola caipira, viola sertaneja, viola de arame, viola nordestina, viola cabocla, viola cantadeira, viola de dez cordas, viola chorosa, viola de queluz, viola serena, viola brasileira, entre outras.

    O instrumento

    A viola caipira tem características muito semelhantes ao violão. Tanto no formato quanto na disposição das cordas e acústica, porém é um pouco menor.

    Existem diversos tipos de afinações para este instrumento, sendo utilizados de acordo com a preferência do violeiro. As mais conhecidas são Cebolão, Rio Abaixo, Boiadeira e Natural.

    A disposição das cordas da viola é bem específica: 10 cordas, dispostas em 5 pares. Os dois pares mais agudos são afinados na mesma nota e mesma altura, enquanto os demais pares são afinados na mesma nota, mas com diferença de alturas de uma oitava. Estes pares de cordas são tocados sempre juntos, como se fossem uma só corda.

    Uma característica que destaca a viola dos demais instrumentos é que o ponteio da viola utiliza muito as cordas soltas, o que resulta um som forte e sem distorções, se bem afinada. As notas ficam com timbre ainda mais forte pois este é um instrumento que exige o uso de palheta, dedeira ou principalmente unhas compridas, já que todas as cordas são feitas de aço e algumas são muito finas e duras.

    Símbolo nacional

    A viola é o símbolo da original música sertaneja, conhecida popularmente como moda de viola ou música raiz.

    No Brasil, é um instrumento tradicional, musicas entoadas em suas cordas atravessaram décadas e gerações e até hoje estão presente no nosso dia a dia da cultura brasileira.

    Em Paraná, Minas Gerais, São Paulo, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul dentre outros, a viola tem destaque na musica, onde a tradição da moda de viola é passada de geração em geração.

    Lendas e histórias

    Existem diversas lendas e histórias acerca da tradição dos violeiros.

    Há diversas lendas e histórias a respeito das afinações da viola. O nome da afinação Cebolão seria do fato de as mulheres chorarem, emocionadas ao ouvir a música, como quem corta cebola.

    A afinação Rio Abaixo seria originada na lenda de que o Diabo costumava descer os rios tocando viola nessa afinação e, com ela, seduzindo as moças e as carregando rio abaixo. Do violeiro que utiliza esta afinação diz-se, eventualmente, que pode estar enfeitiçado ou ter feito pacto com o demônio.

    Acredita-se que a arte de tocar viola seja um dom de Deus, e quem não o recebeu ao nascer nunca será um violeiro de destaque. Porém, a lenda diz que mesmo a pessoa não contemplada com este dom pode adquirir habilidade de um bom violeiro. Uma das opções seria uma magia envolvendo uma cobra-coral venenosa e é conhecida como simpatia da cobra-coral. Outro modo seria fazer rezas no túmulo de algum antigo violeiro na sexta-feira da paixão. Há ainda a possibilidade de o violeiro firmar um pacto com o Diabo para aprender a tocar viola.

    O pesquisador Antônio Candido conta que na região da Serra do Caparaó, assim como em outras, o Diabo é considerado o maior violeiro de todos. Tal mito explica a quantidade de histórias, em todo o Brasil, de violeiros que teriam feito pacto com o Diabo para tocarem bem. Porém, o violeiro que faz este tipo de pacto não vai para o inferno já que todos no “céu” querem violeiros por lá.

    Uma característica dos violeiros típico do nordeste são os duelos de tocadores. Todo bom violeiro se auto-afirma o melhor da região. Se outro violeiro o contraria, o duelo está começado.

    Em certas regiões, por tradição, as violas carregam pequenos chocalhos feitos de guizo de cascavel, pois segundo a lenda, tem poder de proteção para a viola e para o violeiro. Segundo contam os violeiros de antigamente, o poder do guizo chega a quebrar as cordas e até mesmo o instrumento do violeiro adversário.

    Folclore brasileiro

    A viola está presente em diversas manifestações brasileiras, como Catira, Fandango, Folia de Reis, e outras, pelo Brasil afora.

    O Rei da Viola

    José Dias Nunes, conhecido como Tião Carreiro, ficou conhecido na história como o Rei da Viola, devido a seu gênero musical, conhecido como pagode caipira ou pagode sertanejo.

    Grandes duplas e conjuntos de violeiros

    Viola caipira.

    Grandes violeiros

    Referências

    1. a b Ivan Vilela. O caipira e a Viola em: Sonoridades luso-afro-brasileiras: Brasileira. Lisboa: ICS, 2003. 173-189 pg.

    Bibliografia

    • Araújo, Rui Torneze de. Viola Caipira: Estudo Dirigido. São Paulo: Irmãos Vitale S/A, 1998. 64 pg. CDD 787.3
    • Corrêa, Roberto. A Arte de Pontear Viola. Brasília/Curitiba: Edição do Autor, 2000. 259 pg. ISBN 85-901603-1-9
    • Moura, Reis. Descomplicando a Viola: Método Básico de Viola Caipira. Brasília: Edição do autor, 2000. 62 pg. 2 vol. vol. 1. ISBN 85-901637-1-7
    • Queiroz, Eusébio Divino de. Repertório de Ouro para Viola Caipira. São José do Rio Preto: Ricordi, 2000. 76 pg.
    • Viola, Braz da. A Viola Caipira. São Paulo: Ricordi, 1992. 47 pg.
    • Viola, Braz da. Manual do Violeiro. São Paulo: Ricordi, 1999. 74 pg.
    • Viola, Braz da. Um Toque de Viola. São Paulo: Edição do autor, 2001.
    • Viola, Braz da. 10 peças para tocar. São Paulo: Edição do autor, 2001.
    • Viola, Braz da. Pagode de Cabo a Rabo. São Paulo: Edição do autor, 2003.
    • Viola, Braz da. Viola-de-Cocho: método prático. São Paulo: Edição do autor, 2004.
    • Viola, Braz da. Ponteios, O Pulo do Gato. São Paulo: Edição do autor, 2004.

    Ligações externas

  • Excursão Didática para a Escola Nacional Florestan Fernandes: 30 Junho 2012

    Date: 2012.05.11 | Category: CECMundoRural | Response: 0

    (Escola Nacional Florestan Fernandes  – ENFF  Guararema – São Paulo – SP – Brasil)

    Bom Dia Amigos do Mundo Rural! Tudo bem?

    Situada em Guararema (a 70 km de São Paulo), a Escola Nacional Florestan Fernandes foi construída, entre os anos 2000 e 2005, graças ao trabalho voluntário de pelo menos mil trabalhadores sem terra e simpatizantes. Nos cinco primeiros anos de sua existência, passaram pela escola 16 mil militantes e quadros dos movimentos sociais do Brasil, da América Latina e da África. Não se trata, portanto, de uma “escola do MST”, mas de um patrimônio de todos os trabalhadores comprometidos com um projeto de transformação social. Entretanto, no momento em que o MST é obrigado a mobilizar as suas energias para resistir aos ataques implacáveis dos donos do capital, a escola torna-se carente de recursos.  Nós não podemos permitir, sequer tolerar a ideia de que ela interrompa ou sequer diminua o ritmo de suas atividades.

    A escola oferece cursos de nível superior, ministrados por mais de 500 professores, nas áreas de Filosofia Política, Teoria do Conhecimento, Sociologia Rural, Economia Política da Agricultura, História Social do Brasil, Conjuntura Internacional, Administração e Gestão Social, Educação do Campo e Estudos Latino-americanos. Além disso, cursos de especialização, em convênio com outras universidades (por exemplo, Direito e Comunicação no campo). 

    O acervo de sua biblioteca, formado com base em doações, conta hoje com mais de 40 mil volumes impressos, além de conteúdos com suporte em outros tipos de mídia. Para assegurar a possibilidade de participação das mulheres, foram construídas creches (as cirandas), onde os filhos permanecem enquanto as mães estudam.

    Segue abaixo o convite e o programa para a visita coletiva à Escola Nacional Florestan Fernandes  – ENFF. Saudações, Prof. Fábio Fernandes Villela.

    Car@s Amig@s,

     A Associação dos Amigos da Escola Nacional Florestan Fernandes está organizando uma visita coletiva à Escola, no dia 30 de junho 2012, sábado.

    Para quem ainda não conhece esse projeto, a visita vai colocá-lo diante de uma nova realidade concreta, construída, de forma voluntária e coletiva, pelos próprios alunos, que aponta para um futuro no qual a dignidade do ser humano não será mais privilégio de poucos.

    Além disso, você vai compreender que a Escola não é um projeto acabado, é um projeto em construção e sua visita tem também a intencionalidade de convidá-l@ a participar dessa construção. Sem você, sem todos nós, esse projeto não é possível.

    O custo da visita é de R$ 30,00, valor repassado para a ENFF para contemplar custos com café da manhã e almoço.

     Haverá uma van/onibus para a viagem São Paulo-ENFF-São Paulo, por isso pedimos que envie a informação se irá com meios proprios ou com o transporte que vamos contratar, o ponto de encontro será na Estação de Metrô Armenia (esquina da Av. do Estado com Rua Pedro Vicente, ao lado do ponto de taxi) , com saída as 7:30 horas e custo de R$20,00 por pessoa.

    Para que tod@s tenham um bom proveito desse passeio, que será monitorado por companheir@s da ENFF, o grupo será de no máximo 90 pessoas. Assim, solicitamos que você confirme sua presença, enviando nome completo, RG e comprovante do depósito das despesas de alimentação e/ou ônibus (Associação dos Amigos da ENFF, CNPJ 11.453.647/0001-95, Banco do Brasil – Ag. 3687-0 – Conta 285076-1) para o endereço eletrônico visitaenff@amigosenff.org.br.

    Programação na ENFF:

    8:30 às 9 horas: Chegada, recepção e café

    9 às 12 horas: Exibição do vídeo “ENFF – Uma Escola em Construção”, Apresentação do projeto da ENFF e da Associação dos Amigos da ENFF, Debate

    12 às 13 horas:  Almoço

    13 às 14 horas:  Visita monitorada às instalações da ENFF.

    14 às 15 horas:  Momento de solidariedade, depoimentos e mística de encerramento

    Contamos com a presença de tod@s!!!

    José Arbex Junior – Associação dos Amigos da ENFF

    Geraldo Gasparin – Escola Nacional Florestan Fernandes

  • O Nosso Silva: José Antônio da Silva

    Date: 2012.04.11 | Category: CECMundoRural | Response: 0

    José Antônio da Silva São Jorge e o Dragão , 1949 óleo sobre tela, c.i.e.  45 x 60 cm Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand (SP) Reprodução Fotográfica Gerson Zanini

    José Antônio da Silva (Sales de Oliveira SP 1909 – São Paulo SP 1996). Pintor, desenhista, escritor, escultor, repentista. Trabalhador rural, de pouca formação escolar, é autodidata. Em 1931, muda-se para São José do Rio Preto, São Paulo. Participa da exposição de inauguração da Casa de Cultura da cidade, em 1946, quando suas pinturas chamam atenção dos críticos Lourival Gomes Machado (1917-1967), Paulo Mendes de Almeida (1905-1986) e do filósofo João Cruz e Costa. Dois anos depois, realiza mostra individual na Galeria Domus, em São Paulo. Nessa ocasião Pietro Maria Bardi (1900-1999), diretor do Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand (Masp), adquire seus quadros e deposita parte deles no acervo do museu. O Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM/SP) edita seu primeiro livro, Romance de Minha Vida, em 1949. Na 1ª Bienal Internacional de São Paulo, em 1951, recebe prêmio aquisição do Museum of Modern Art (MoMA) [Museu de Arte Moderna] de Nova York. Em 1966, Silva cria o Museu Municipal de Arte Contemporânea de São José do Rio Preto e grava dois LPs, ambos chamados Registro do Folclore Mais Autêntico do Brasil, com composições de sua autoria. No mesmo ano, ganha Sala Especial na 33ª Bienal de Veneza. Publica ainda os livros Maria Clara, 1970, com prefácio do crítico literário Antônio Candido (1918); Alice, 1972; Sou Pintor, Sou Poeta, 1982; e Fazenda da Boa Esperança, 1987. Transfere-se de São José do Rio Preto para São Paulo, em 1973. Em 1980, é fundado o Museu de Arte Primitivista José Antônio da Silva (MAP), em São José do Rio Preto, com obras do artista e peças do antigo Museu Municipal de Arte Contemporânea.

    Comentário Crítico

    Autodidata de formação, José Antônio da Silva exerce várias atividades, entre elas a de trabalhador rural, até o seu trabalho como artista ser descoberto em 1946, durante exposição na Casa de Cultura, em São José do Rio Preto, despertando o interesse de críticos de arte que participavam do evento. Suas primeiras pinturas possuem cores frias e escuras. A partir de 1948, realiza paisagens de caráter mais lírico, empregando uma gama cromática mais viva e variada. Expõe nas três primeiras edições da Bienal Internacional de São Paulo, e nessa época, sua obra revela a influência pela pincelada vibrante de Vicent van Gogh (1853-1890), em 1955, passa a realizar quadros baseado no pontilhismo, nos quais os pontos ou traços de cor proporcionam destaque a matéria, como em Espantalhos diante da Paisagem (1956).

    Apresenta em suas telas espaços amplos, abertos e temas ligados a vida no campo, como o algodoal, os cafezal e o boi no pasto, que acabam tornando-se sua produção mais conhecida. Como nota o crítico P.M. Bardi, o artista revela grande espontaneidade na abstração dos detalhes em suas telas, onde, por exemplo, fileiras de pontos brancos indicam o algodoal. Destacam-se em sua obra o desenho expressivo, o senso da cor e o caráter de fantasia. Silva percorre uma grande variedade de temas: natureza-morta, pintura sacra, marinha, pintura histórica e de gênero. Algumas telas possuem um tom irônico. Nos quadros realizados a partir da década de 1970, o artista cria maior distinção entre a figura e o plano de fundo, empregando também grandes planos de cores.

    Texto retirado da Enciclopédia Itaú Cultural – Arte Visuais: http://www.itaucultural.org.br

  • O Milagre de Santa Luzia: uma Viagem pelo Brasil que toca Sanfona

    Date: 2012.03.14 | Category: CECMundoRural | Response: 0

    Boa Noite Amigos do Mundo Rural! Tudo bem?

    Existe uma música de Aldir Blanc e Maurício Tapajós, “Querelas do Brasil”, que ficou famosa na voz de Elis Regina, que poderia muito bem estar no documentário “O Milagre de Santa Luzia”. “O Brazil não conhece o Brasil”, diz um dos versos da canção.

    O filme “Milagre de Santa Luzia”  revela um Brasil pouco conhecido pelo restante do país. Dirigido por Sergio Roizenblit, “O Milagre de Santa Luzia” aborda a cultura popular brasileira por meio da sanfona que, por incrível que pareça, une o Brasil de norte a sul, com os ritmos mais variados, do baião ao jazz. O cicerone dessa viagem é o músico Dominguinhos, atualmente, o sanfoneiro mais conhecido do país.

    A saga ao som da sanfona começa em Exu, no Estado de Pernambuco, onde Dominguinhos interpreta “Lamento Sertanejo”, que compôs com Gilberto Gil. Mas, ao longo dos pouco mais de 100 minutos de filme, “O Milagre de Santa Luzia” muda o conceito que temos do instrumento ao mostrar um Brasil diversificado, no qual cada região o reinventa de acordo com suas tradições.

    O trabalho excepcional de Roizenblit revela as cores das culturas locais dando espaço para seus personagens e Dominguinhos, com sua simpatia, conduz entrevistas que são verdadeiras conversas, despojadas e divertidas, e faz parcerias com outros músicos, como Mario Zan e Sivuca, ambos mortos em 2006.

    Se, por um lado, a tradição da sanfona no Nordeste já é bem conhecida – embora “O Milagre de Santa Luzia” mostre algumas novidades -, o Sudeste e o Sul surpreendem, com paulistas que combinam as tradições rurais com a urbanidade ou gaúchos que adaptam a sanfona para as cores locais combinando com o som da gaita. Em meio à visão geral, destacam-se alguns músicos, como o pernambucano Arlindo dos Oito Baixos, que conta como a sanfona o ajudou a lidar com a perda da visão.

    A gênese de “O Milagre de Santa Luzia” começou em 2001, quando Roizenblit participou do Projeto Memória Brasileira, de Myrian Taubkin, para o qual dirigiu vídeo-cenários da série de shows O Brasil da Sanfona, que posteriormente foram transformados em DVD. Desde então, o documentarista trabalha no projeto. Em 2006, foram colhidos os depoimentos – exceto o de Patativa do Assaré. O poeta morreu em 2002, por isso o documentário aproveita cenas filmadas em 2001, nas quais ele homenageia o músico Luiz Gonzaga com um poema.

    É obvio que o som em “O Milagre de Santa Luzia” é o que mais se destaca. Pedro Noizyman, João Godoy, René Brasil e Thiago Bittencourt fizeram um trabalho impressionante, captando todas as nuances dos instrumentos musicais. Na primeira cena, Dominguinhos toca sanfona andando numa estrada – é possível ouvir com clareza cada acorde de sua música.

    Mas, nem por isso, Roizenblit e Rinaldo Martinucci, que assinam a fotografia, sabem como explorar as belezas tanto naturais como metropolitanas das cidades visitadas. Uma das cenas mais bonitas, tanto no visual quanto no som, acontece por acaso. É aquele famoso acaso do momento que tanto enriquece documentários quando bem explorados.

    A cena acontece em Custódia (PB), onde Dominguinhos se encontra na estrada com um grupo de músicos vindos de uma vaquejada. Todos vestidos a caráter, cantam à capela, ao ar livre. Nesse momento, o filme mostra claramente a comunhão entre a música e o ambiente. Exibido no Festival de Brasília, em novembro do ano passado, “O Milagre de Santa Luzia” levou os prêmios de melhor trilha sonora e o Vagalume de melhor filme, concedido por um júri de deficientes visuais.

    Em sua participação em “O Milagre de Santa Luzia”, Sivuca diz que “a nossa missão é tratar bem quem nos trata bem, que é a sanfona”. Roizenblit e seu filme estão cientes disso e tratam bem não apenas o instrumento, mas também seus músicos e, especialmente, o público que sai do cinema certo de ter feito uma bela viagem por um Brasil que o Brasil pouco, ou nada, conhece. (Texto reelaborado a partir de Alysson Oliveira, do Cineweb, da Uol).

    O site do filme pode ser acessado em: http://www.omilagredesantaluzia.com.br/

  • Mémórias da Questão Agrária em Rio Preto – SP – Brasil: Aparecido Galdino Jacintho

    Date: 2012.03.10 | Category: memórias | Response: 0

    [LA+O+Profeta+das+águas.jpg]

    (Aparecido Galdino Jacintho. Fotógrafo: Carlos Chimba)

    Em 1970, um grupo liderado pelo líder religioso Aparecido Galdino Jacintho desafia a ditadura militar e resiste à construção da barragem do rio Paraná, para a construção da hidrelétrica de Ilha Solteira. O projeto resultaria na inundação do município de Rubinéia, na fronteira de São Paulo, Mato Grosso do Sul e Minas Gerais. Líder religioso com diversos seguidores na região, onde tinha fama de curandeiro, Aparecido, autêntica expressão messiânica tardia, conclama todos à resistência e chega a formar um pequeno exército fardado, que chamou de Exército da Força Divina. Ele acreditava que nessa empreitada contaria com a ajuda do Exército Nacional.

    Contrariando sua profecia, os soldados enviados a Rubinéia reprimiram violentamente o movimento de resistência. Aparecido teve sua casa invadida, foi preso e barbaramente torturado, enquadrado na Lei de Segurança Nacional e abandonado num manicômio judiciário durante mais de oito anos.

    Este episódio originou o documentário “O Profeta das Águas” de Leonardo Nunes de 2007. O vídeo relata este episódio de injustiça, resgata documentos históricos das Justiças comum e militar e de arquivos de hospitais psiquiátricos e colhe depoimentos de diversas pessoas que vivenciaram o episódio, entre elas o próprio Aparecido Galdino, protagonista da história.

    Pelo tipo físico, mas sobretudo pelas idéias que sempre defendeu – luta pela terra, respeito à natureza, resistência contra decisões arbitrárias do governo –, Aparecido Galdino é um personagem facilmente associado a Antônio Conselheiro, o líder da rebelião de Canudos, no século XIX. O próprio episódio, em si, leva a um paralelo com a rebelião de Canudos, na Bahia

  • Festa do Carnaval em Portugal

    Date: 2012.02.15 | Category: CECMundoRural | Response: 0

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    Caretos de Podence – Carnaval – Podence (Macedo de Cavaleiros)

    Bom dia Amigos do Mundo Rural do Brasil e de Portugal!

    A Festa do Carnaval em Portugal remontará, na sua origem, às antigas festas da Natureza, de fundo agrário. Uma das festas mais tradicionais e animadas do país são os “Caretos de Podence”. Numa verdejante paisagem transmontana, Podence (a 7 km de Macedo de Cavaleiros) apresenta os reis do seu Carnaval, os Caretos. Jovens solteiros vestem máscaras rudimentares em lata pintada, de nariz pontiagudo, e mantas de cores fortes, saltam os vermelhos, os amarelos e os verdes. A sua presença nas ruas faz-se notar pelo barulho dos chocalhos e campainhas que se encontram presos à cintura.

    Na Festa do Carnaval juntam-se aos Caretos as “matrafonas” e os “madamos”, homens vestidos de mulher que alegram todos aqueles que enchem as ruas da aldeia. A presença dos Facanitos é indispensável, que aprendem em tenra idade a tradição carnavalesca dos rapazes mais velhos. A festa anima-se e as jovens mulheres fogem dos Caretos que com elas querem “chocalhar”, mesmo que para isso tenham que subir varandas. Com danças, petiscos e copos se inventam casamentos e se soltam até os espíritos mais oprimidos.  A tradição do Carnaval em Podence é muito antiga e está ligada às Saturnais romanas. Em termos paisagísticos, a aldeia é muito valorizada pela proximidade da Barragem do Azibo, a acerca de 1 km, onde existe um Parque Natureza e uma praia fluvial. Outros lugares interessantes da Festa do Carnaval em Portugal são: Lazarim (Aldeia de Lazarim, Lamego), Vinhais (Vila Boa de Ousilhão, Vinhais), Lindoso (Parque Nacional da Peneda-Gerês), Cabanas de Viriato (Carregal do Sal), Nelas e Canas de Senhorim, Vale de Ílhavo (Ílhavo, Aveiro), Leomil (Moimenta da Beira), Sines (Sines) e Loulé (Loulé).

    Informações reelaboradas a partir de: http://www.mundo-rural.pt

  • O Projeto Terra Paulista: Histórias, Arte, Costumes

    Date: 2012.02.08 | Category: CECMundoRural | Response: 0

     

    Bom Dia Amigos do Mundo Rural!

    Terra Paulista: Histórias, Arte, Costumes é um projeto do Cenpec – Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária, uma organização não governamental com atuação e experiência de quase duas décadas no contexto da sociedade brasileira. Elaborado por uma equipe multidisciplinar, o projeto Terra Paulista tem como objetivo estimular um olhar crítico de educadores, alunos e do público em geral para a formação e o desenvolvimento cultural do Estado de São Paulo, especialmente do interior. Pela primeira vez, a região é apresentada por meio de um amplo e detalhado projeto editorial a respeito da sua produção cultural. O resultado dessa pesquisa foi disponibilizada, em sua primeira fase (2003/2005), nos seguintes produtos, formatados em mídias diversas:

     - Coleção Terra Paulista: três livros com textos inéditos e iconografia comentada;

     - Documentários: série de 12 documentários – Vale do Médio Tietê, Vale do Paraíba e Oeste Paulista;

     - Série Terra Paulista – Jovens – conjunto de materiais paradidáticos (10 fascículos, 1 almanaque e 3 jogos de tabuleiro) distribuídos gratuitamente, por meio de parceria com a Secretaria de Estado da Educação, a 890 escolas da rede pública do Estado, que receberam também, curso de capacitação;

     - Portal na Internet: www.terrapaulista.org.br

     -Exposição Interativa Terra Paulista: no SESC Pompéia, de 20/09 a 11/12/2005, que contou com a presença de cerca de 90 mil visitantes.

    A primeira etapa do projeto abordou três regiões consideradas importantes no desenvolvimento histórico e econômico da formação do Estado de São Paulo, compreendendo o período do século XVI às primeiras décadas do XX. As áreas pesquisadas foram o Vale do Médio Tietê, o Vale do Paraíba e o Oeste Paulista nas regiões da Paulista e Mogiana, onde o bandeirantismo, as monções, o tropeirismo e as fazendas de açúcar e café marcaram a sua trajetória.

    No decorrer da história e da elaboração da identidade de um Brasil moderno, os paulistas acabaram por constranger seu passado e seu patrimônio cultural, especialmente o do interior, como se tivessem sido excluídos daquilo que é considerado “cultura brasileira”, calcada especialmente em elementos de Minas Gerais, Rio de Janeiro e Bahia. Na representação hegemônica sobre o Estado de São Paulo valorizou-se o moderno, o industrial, o urbano, o século XX republicano ou as raízes bandeiristas do período colonial.

    Assim, grande parte do passado paulista passou a significar sinal de atraso e o rural passou a simbolizar o precário. O legado cultural do homem simples do campo foi identificado como a negação da modernidade, como a antítese do progresso. A pesquisa empreendida aborda a formação de São Paulo, as diversas manifestações artísticas e os diferentes costumes, revelando aspectos curiosos e muitas vezes desconhecidos para os próprios paulistas. A apresentação do Projeto Terra Paulista no Seminário A cultura caiçara e suas transformações, tem a intenção de mostrar a importância da valorização do nosso patrimônio e a sua divulgação nas escolas e universidades. Ao articularmos cultura e educação, entendemos que esse diálogo cria um potencial fundamental para a construção da cidadania.

    Portanto, cabe-nos mostrar aos próprios paulistas e ao resto do país que possuímos um rico e diversificado patrimônio cultural material e imaterial e que, mesmo apesar da destruição de parte significativa desse acervo tenha sido destruída – em nome do progresso e da modernidade -, ainda temos exemplares materiais e, sobretudo, manifestações culturais vivas e que, se não hegemônicas, fazem parte de nossas raízes e dizem respeito ao múltiplos modos de ser e pertencer do mundo contemporâneo.

    A nova etapa da pesquisa do Projeto Terra Paulista (2006/2007) abordará os processos históricos que marcaram o Estado de São Paulo e o povo paulista no século XX, incluindo as áreas da Fronteira Oeste (Araraquarense, Noroeste, Alta Paulista e Alta Sorocabana), bem como o Vale do Ribeira e o Litoral, regiões cuja ocupação se intensificou nesse período. Grupos indígenas, imigrantes e migrantes serão destacados nesse trabalho, bem como agentes sociais como ferroviários, operários, bóias-frias e caiçaras.

    Texto de Ana Regina Carrara (Historiadora. Coordenadora da Área de Educação e Cultura do Cenpec).

    Download do livro de Maria Alice Setubal - ”Vivências Caipiras”: http://www.imprensaoficial.com.br/PortalIO/download/pdf/projetossociais/vivencias_caipiras.pdf

  • Memórias da Questão Agrária em Rio Preto – SP – Brasil: Coutinho Cavalcanti

    Date: 2012.01.23 | Category: memórias | Response: 0

    O deputado Coutinho Cavalcanti, na juventude (Acervo de Hubert Eloy Richard Pontes)

    “Projeto do médico e deputado federal Coutinho Cavalcanti sobre reforma agrária foi aplicado em Cuba” (Texto de Lelé Arantes).

    “Al Doctor Coutinho Cavalcanti, a quién la patria cubana debe las ideas de su reforma agraria” – Nuñez Giménez, diretor del Instituto Nacional de Reforma Agraria de Cuba. Esse agradecimento do dirigente cubano está no livro “Reforma Agrária no Brasil – Um projeto brasileiro aplicado em Cuba, em vias de ser aprovado no Brasil”, da Edições Autores Reunidos Ltda., de 1961. É o primeiro volume da “Coleção Nossos Problemas”, daquela editora. Tito Batini apresenta o autor, o médico e deputado federal radicado em Engenheiro Schmitt Coutinho Cavalcanti, enquanto Maurillo Pacheco faz uma análise do conteúdo do livro, baseado no mais fecundo e completo projeto de reforma agrária já apresentado no Congresso Nacional brasileiro. O prefácio é do próprio Coutinho Cavalcanti, escrito pouco antes de sua morte, em 1960.

    Escrever um livro sobre a reforma agrária foi o caminho encontrado pelo deputado rio-pretense para o descaso dos seus colegas congressistas diante do seu projeto e o absoluto silêncio da imprensa. Para ele, interessava debater sobre a questão. Ele a classificava como “imperativo da consciência nacional, da Salvação Nacional”. Anos mais tarde, em 1980, o advogado José Froes Filho confirmava que a sua obra não teve “o reconhecimento devido de seus contemporâneos”. Coutinho criticava severamente a indiferença dos senadores e deputados brasileiros quando o assunto proposto tratava diretamente de qualquer problema grave da Nação, em especial a questão agrária e outras como a saúde e direitos dos trabalhadores.

    Político de orientação marxista ele procurava conhecer do lado de dentro a vida dos adversários. Em 1954, por exemplo, participou de um curso da Escola Superior de Guerra (ESG), na “Turma Pandiá Calógeras”, ao lado de 32 oficiais de alta patente das Forças Armadas e quatro ministros. Entre os oficiais estava o coronel Ernesto Geisel, futuro presidente do Brasil. Em Rio Preto, ele freqüentava com assiduidade o Automóvel Clube, e foi seu presidente duas vezes, em 1937 e em 1950. Aliás, o clube foi um celeiro de pensadores marxistas durante décadas, abrigando, entre outros Tavares de Almeida, Rollemberg Sampaio e Maurício Goulart. Coutinho Cavalcanti faleceu em 28 de novembro de 1960, sem ver o livro impresso, mas morreu acreditando, conforme escreveu no prefácio do seu livro, que “um dia a Reforma Agrária, em nosso país, será absolutamente realidade. E não deve demorar. Pois que o problema urge e impõe dia a dia a gravidade do seu impacto”.

    Meses antes de morrer, em 1959, ele esteve em Cuba e de lá enviou um cartão postal ao amigo Hubert Richard Pontes, afirmando, de punho próprio, que lá a reforma agrária já era uma realidade e lamentando a violência com que ela era combatida no restante das Américas. Seu projeto foi apresentado no dia 14 de abril de 1954 e levou o número 04389, com 250 artigos. Tramitou na Câmara dos Deputados até o dia 15 de abril de 1971, quando foi arquivado. Uma cópia do projeto teria sido levada para Cuba por Ernesto “Che” Guevara e servido de base para a reforma agrária implantada por Fidel Castro em 17 de maio de 1957. Acredita-se que “Che” teria pernoitado em Rio Preto, entre 1957 e 58, recebendo das mãos do próprio Coutinho o projeto de lei. Nesse período, “Che” participava da guerrilha cubana, na Sierra Maestra, e dificilmente poderia ter estado em Rio Preto. A reprodução do texto de Nuñez Gimenez é uma comprovação oficial da aplicação do projeto em Cuba, assim como o cartão postal. A vinda ou não de “Che” a Rio Preto é outra história a ser desvendada.

    Joaquim Nunes Coutinho Cavalcanti

    Médico, prefeito rio-pretense de 1º a 17 de abril de 1935, candidato a prefeito rio-pretense em 1947 e 1955; deputado federal de 1951 a 1954, de 1955 a 5198 e de 1959 a 1960 (morreu no exercício do cargo); como deputado, foi representante do Brasil em missões oficiais na França e em Cuba. Vereador rio-pretense de 1936 a 1937 (teve o mandato interrompido pelo Golpe do Estado Novo em 1937) secretário estadual da Saúde e Assistência Social em 1956, presidente do Automóvel Clube em 1937 e 1950; foi um dos fundadores e membro do conselho fiscal do Aeroclube Rio Preto em 1939, vice-presidente do Clube Comercial em 1944, subdelegado da Legião Revolucionária em 1932, foi um dos organizadores da Federação dos Voluntários de São Paulo em 1932, vice-diretor clínico da Casa de Saúde Santa Helena, diretor-proprietário do jornal A Tribuna de 1952 a 1956. Atendendo a um pedido seu, o sacerdote agostiniano Vito Fernandez construiu em 1947, em Engenheiro Schmitt o Ginásio São José (que em 1961 passou a chamar-se Colégio São José e a funcionar em Rio Preto; no prédio do antigo Ginásio São José funciona hoje o Asilo Deolindo Bortoluzzo).

    Em maio de 1951, em parceria com Romeu Campos Vergel, apresentou na Câmara dos Deputados o projeto de lei que estendeu a imunidade parlamentar aos vereadores brasileiros; foi autor do projeto de lei 04389 de 14/4/1954, instituindo no Brasil a Reforma Agrária; este projeto foi arquivado em 15/4/1971. Esse projeto que não foi adotado no Brasil foi aplicado em Cuba por Fidel Castro; cópia do projeto teria sido levada a Cuba pelo líder revolucionário Ernesto “Che” Guevara. Amigo do escritor Pedro Nava, Coutinho Cavalcanti fez parte de seleta lista de intelectuais brasileiros a quem Nava dedicou o livro de memória “Baú de Ossos” e consta em diversas passagens do livro “O Círio Perfeito”. É nome de rua no Jardim Alto Alegre e Jardim América e no distrito de Engenheiro Schmitt.

    Formado em Medicina pela Universidade de Minas Gerais, em Belo Horizonte, em 1930; fez curso na Escola Superior de Guerra em 1953 na CSG Pandiá Calógeras (teve como companheiros de turma Ernesto Geisel, Café Filho, Lauro Sodré, marechal Mascarenhas de Moraes, marechal Teixeira Lott, Austregésilo de Athayde, Ranieri Mazzilli, Nereu Ramos e Virgílio Távora).

    Textos de Lelé Arantes retirados de: http://quemfazhistoria.com.br/ e  www.diarioweb.com.br

  • Oficina de Jogos e Brincadeiras Indígenas no Sesc Rio Preto – SP – Brasil

    Date: 2012.01.21 | Category: CECMundoRural | Response: 0

    (Foto retirada do Portal Sesc Taubaté)

    Bom Dia Amigos do Mundo Rural!

    O Sesc Rio Preto realiza em janeiro e fevereiro, como parte do programa “Sesc Verão 2012″, oficinas sobre as brincadeiras e os jogos da etnia Kalapalo. É uma oportunidade de aprender como se brinca nas aldeias, onde o prazer de se divertir é mais importante do que competir. Será realizado também um bate papo entre público presente e representantes da etnia, entre eles o Cacique Faremã Kalapalo. Local: Ginásio de Esportes do Sesc Rio Preto. Grátis. (Informação retirada da programação do Sesc Rio Preto: http://www.sescsp.net/sesc/programa_new/mostra_detalhe.cfm?programacao_id=211437).

    Jogos e Brincadeiras na Cultura Kalaparo

    O SESC São Carlos (SP), por meio do indigenista Ulysses Fernandes, mantém contato desde 2001 com etnias da Terra Indígena do Xingu (TIX), em Mato Grosso. Em 2002, 45 índios fizeram apresentações e travaram contato com estudantes, professores, educadores e o público em geral. Em 2005, essa unidade do SESC promoveu a ida de uma equipe até o Alto Xingu. O grupo registrou 25 jogos e brincadeiras (algumas delas em via de esquecimento) na aldeia Kalapalo, onde vivem cerca de 400 índios. Este livro traz fotos de adornos, objetos, armas e máscaras, além de desenhos de pintura corporal e imagens dos índios brincando ou participando de ritos. O volume vem acompanhado de um DVD com documentário sobre a cultura e as brincadeiras Kalapalo. (Informações retiradas de: http://www.xingu-otomo.net.br/jogos-e-brincadeiras-na-cultura-kalapalo/).

    A gente se vê lá, Prof. Fábio Fernandes Villela.

  • É Hoje: Festa de Santos Reis de Potirendaba – SP – Brasil

    Date: 2012.01.07 | Category: CECMundoRural | Response: 1

    Folia de Reis de Poloni – SP – Brasil (Fotógrafo: Muhammad Bakr)

    Bom Dia Amigos do Mundo Rural!

    Seis toneladas de carne bovina, 800 quilos de lingüiça, 15 mil pães e um caminhão de sorvetes vão ser servidos na tradicional Festa de Reis no bairro rural de Guajuvira, em Potirendaba. A expectativa dos organizadores é de público entre 12 e 15 mil pessoas. A comemoração é hoje, a partir das 14 horas, no km 14 da vicinal José Aguiar, que liga Potirendaba a Mendonça. A entrada e os alimentos são gratuitos. Os participantes pagam apenas pelas bebidas.

    A festa ocorre há 75 anos e pessoas de toda a região prestigiam. O empresário José Alberto Hischiavam, 39, de Rio Preto, há seis anos comparece religiosamente à Guajuvira. E leva toda a família. “Eu vou com minha esposa, meus dois filhos, minha mãe, cunhados”, diz. Além da presença, o empresário sempre recebe a bandeira de Reis em casa e colabora com a festa. Esse ano doou uma novilha. “Sou muito devoto e sempre que preciso peço ajuda a eles”.

    O aposentado Brás de Siqueira, 70, carrega a tradição familiar e participa desde os 8 anos de idade da festa. “Começou com o meu bisavô, passou para o meu avô e eu dou sequência”. Para não perder o costume, o aposentado leva toda a família. E ele não vai apenas para agradecer as graças alcançadas. Além de colaborar na organização do evento, Siqueira participa das apresentações. Hoje, ele vai ajudar nos cânticos.

    De acordo com o presidente da comissão organizadora, João Antonio Laureiro, foram abatidos 34 novilhas e seis porcos. O caminhão de sorvetes deve distribuir 15 mil picolés. Tudo adquirido através de doações da população. “Nós começamos a passar a bandeira pelas casas em setembro e reunimos as doações”. Na tarde de ontem, cerca de 200 pessoas ajudaram, voluntariamente, na organização do local.

    O lucro obtido com a venda das bebidas também vai ficar para a comunidade. “Para ajudar na manutenção da capela durante todo o ano”, disse. Durante o período de arrecadação, Laureiro exalta a hospitalidade e devoção demonstrada pelos moradores. “A maioria nos recebe de portas abertas e a gente não faz diferença entre quem doa mais ou menos. O tratamento é igual”.

    Desde 1992 na presidência da comissão, Laureiro só tem uma explicação para a continuidade da festa: devoção. Em todo ano, é nomeado um festeiro – pessoa que oferece a comemoração como forma de agradecer a bençãos alcançadas. Esse ano, o festeiro é o operador de máquinas Ede Carlos Borges, 40 anos. Ele ajudou durante toda a campanha de arrecadação e na organização da festa. Tudo devido à ajuda que recebeu.

    “Meu pai sofreu um acidente em 1998 e os médicos disseram que ele só tinha 6% de chances de sobreviver. A primeira coisa que me veio à cabeça foi pedir para os Santos Reis”, disse. O pai ficou por 17 dias na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e recebeu alta após 26 dias no quarto. “Hoje em dia ele trabalha normalmente e está curado”.

    Além das comidas, a festa conta com a apresentação da Companhia de Reis da Guajuvira. O ritual da companhia é composto por três passagens, cada uma delas simbolizada por um arco de bambu enfeitado. A trupe deve atravessar cada arco. Quem conduz a todos é o Rei, responsável também por levar a bandeira. Painéis com fotos vão lembrar as festas do passado. Um presépio, de seis metros por três, também foi montado.

     Reelaborado a partir de: http://www.diariodaregiaodigital.com.br/php/index.php

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