• Dia Nacional da Cultura – Uma Homenagem a Bambico

    Date: 2011.11.05 | Category: CECMundoRural | Tags: ,,,,,,,,,,,

    Bom Dia Amigos do Mundo Rural!

    No Dia Nacional da Cultura, 05-11, deixamos aqui nossa homanagem a  Bambico (Domingos Miguel dos Santos, 1944 – Umuarama, PR , 1982 – São Paulo) . Considerado um dos maiores violeiros da História da música caipira, é, no entanto, uma figura muito pouco conhecida, já que sua carreira desenvolveu-se principalmente como músico de estúdio. Segundo Pedro Lemos Barbosa, o Pinho, criador e diretor da Revista Viola Caipira, “…se Tião Carreiro é considerado o ‘Pelé da Viola’, Bambico foi sem dúvida o ‘Garrincha dos Violeiros’, tendo sido um verdadeiro artista nas artimanhas dos Ponteios”. Sua atuação foi fundamental para a criação do pagode sertanejo. Na segunda metade dos anos 1970, formou dupla com Bambuê, com quem gravou dois LPs, “Viola e violão” e “É fogo no fogo”. Em 1980, formou, com João Mulato, a dupla João Mulato e Douradinho, gravando os LPs “Saudade de um amor que passa” e “Meu reino encantado”. Tocou viola caipira em disco de Tião Carreiro, para quem criou introduções para diversos pagodes.

    Música Sertaneja

    A Música Sertaneja ou caipira é um gênero musical do Brasil produzido a partir da década de 1910, por compositores rurais e urbanos, outrora chamada genericamente de modas, toadas, cateretês, chulas, emboladas e batuques, cujo som da viola é predominante.[1]

    O folclorista Cornélio Pires conheceu a música caipira, no seu estado original, nas fazendas do interior do Estado de São Paulo e assim a descreveu em seu livro “Conversas ao pé do Fogo”:

    -”Sua música se caracteriza por suas letras românticas, por um canto triste que comove e lembra a senzala e a tapera, mas sua dança é alegre”.

    Cornélio Pires em seu livro “Sambas e Cateretês”, recolheu letras de música cantadas nas fazendas do interior do estado de São Paulo no início do século XX, antes de existir a música caipira comercial e gravada em discos. Sem o livro “Sambas e Cateretês” estas composições teriam caído no esquecimento.

    Inicialmente tal estilo de música foi propagado por uma série de duplas, com a utilização de violas e dueto vocal. Esta tradição segue até os dias atuais, tendo a dupla geralmente caracterizada por cantores com voz tenor (mais aguda), nasal e uso acentuado de um falsete típico. Enquanto o estilo vocal manteve-se relativamente estável ao longo das décadas, o ritmo, a instrumentação e o contorno melódico incorporaram aos poucos elementos de gêneros disseminados pela indústria cultural.[1]

    Destacaram-se inicialmente, entre as duplas pioneiras nas gravações em disco, Zico Dias e Ferrinho, Laureano e Soares, Mandi e Sorocabinha e Mariano e Caçula. Foram as primeiras duplas a cantar principalmente as chamadas modas de viola, de temática principalmente ligada à realidade cotidiana – casos de “A Revolução Getúlio Vargas” e “A Morte de João Pessoa”, composições gravadas pelo duo Zico Dias e Ferrinho, em 1930, e “A Crise” e “A Carestia”, modas de viola gravadas por Mandi e Sorocabinha, em 1934. Gradualmente, as modificações melódicas e temáticas (do rural para o urbano) e a adição de novos instrumentos musicais consolidaram, na década de 1980, um novo estilo moderno da música sertaneja, chamado hoje de “sertanejo romântico” – primeiro gênero de massa produzido e consumido no Brasil, sem o caráter geralmente épico ou satírico-moralista e menos frequentemente, lírico do “sertaneja de raiz”.[1] [2]

    Tais modificações dentro do gênero musical têm provocado muitas confusões e discussões no país a cerca do que seria música caipira/sertaneja. Críticos literários, críticos musicais, jornalistas, produtores de discos, cantores de duplas sertanejas, compositores e admiradores debatem sobre as quais seriam as formas artísticas de expressão do gênero, que levam em conta as mudanças ocorridas ao longo de sua história. Muitos estudiosos seguem a tendência tradicional de integrar as músicas caipira e sertaneja como subgêneros dentro um só conjunto musical, estabelecendo fases e divisões: de 1929 até 1944, como “música caipira” (ou “música sertaneja raiz”); do pós-guerra até a década de 1960, como uma fase de transição da velha música caipira rumo à constituição do atual gênero sertanejo; e do final dos anos sessenta até a atualidade, como música “sertaneja romântica”.[2] Outros no meio acadêmico, no entanto, consideram “música caipira” e “música sertaneja” gêneros completamente independentes, baseado na ideia de que a primeira seria a música rural autêntica e/ou do homem rural autêntico, enquanto a segunda seria aquela feita, como “produto de consumo”, nos grandes centros urbanos brasileiros por não-caipiras.[3] [4] Outros autores estendem o conceito de música caipira/sertaneja ao baião, ao xaxado e outros ritmos do interior do Norte e Nordeste.[1]

    Se for adotado o critério de que música caipira e sertaneja são sinônimos, pode-se dividir este gênero musical em alguns subgêneros principais: “Caipira” (ou “Sertanejo de Raiz”), “Sertanejo Romântico” e “Sertanejo Universitário”.

     Antecedentes

    “Sertanejo” são os locais afastados, longe das cidades, ainda que seja mais presente sua relação com o nordeste, do interior, que encontrou vegetação e clima hostis, além da dominação política dos “coronéis”, obrigando a desenvolver uma cultura de resistência, do matuto, legitimamente sertanejo, conhecedor da caatinga. Difere-se da cultura caipira, especificamente originária na área que abrange os estados de São Paulo, Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Paraná e a região Sul Fluminense, no Rio de Janeiro [5]. Ali se desenvolveu uma cultura do colono que encontrou abundância de águas, terra produtiva e um clima mais ameno, típico do cerrado. É conhecida como “caipira” ou “sertaneja” a execução composta e executada das zonas rurais, do campo, a antiga Moda de viola. Os caipiras, duplas ou solo, utilizavam instrumentos típicos do Brasil-colônia, como viola caipira .

    Primeira era

    Foi em 1929 que surgiu a música sertaneja como se conhece hoje. Ela nasceu a partir de gravações feitas pelo jornalista e escritor Cornélio Pires de “causos” e fragmentos de cantos tradicionais rurais do interior paulista, norte e oeste paranaenses, sul e triângulo mineiros, sudeste goiano e matogrossense.[1] Na época destas gravações pioneiras, o gênero era conhecido como música caipira, cujas letras evocavam o modo de vida do homem do interior (muitas vezes em oposição à vida do homem da cidade), assim como a beleza bucólica e romântica da paisagem interiorana (atualmente, este tipo de composição é classificada como “música sertaneja de raiz”, com as letras enfatizadas no cotidiano e na maneira de cantar).[nota 1]

    Além de Cornélio Pires e sua “Turma Caipira”, destacaram-se nessa tendência, mesmo que gravando em época posterior, as duplas Alvarenga e Ranchinho, Torres e Florêncio, Tonico e Tinoco, Vieira e Vieirinha, entre outros, e canções populares como “Sergio Forero”, de Cornélio Pires, “O Bonde Camarão” de Cornélio Pires e Mariano, “Sertão do Laranjinha”, de Ariovaldo Pires e “Cabocla Tereza”, de Ariovaldo Pires e João Pacífico.[1]

    Segunda era

    Uma nova fase na história da música sertaneja teve início após a Segunda Guerra Mundial, com a incorporação de novos estilos (de duetos com intervalos variados e o estilo mariachi), gêneros (inicialmente a guarânia e a polca paraguaia e, mais tarde, o corrido e a ranchera mexicanos) e instrumentos (como o acordeom e a harpa).[1] A temática vai tornando-se gradualmente mais amorosa, conservando, todavia, um caráter autobiográfico.[nota 2]

    Alguns destaques desta época foram os duos Cascatinha e Inhana, Irmãs Galvão, Irmãs Castro, Sulino e Marrueiro, Palmeira e Biá, o trio Luzinho, Limeira e Zezinha (lançadores da música campeira) e o cantor José Fortuna (adaptador da guarânia no Brasil). Ao longo da década de 1970, a dupla Milionário e José Rico sistematizou o uso de elementos da tradição mexicana mariachi com floreios de violino e trompete para preencher espaços entre frases e golpes de glote que produzem uma qualidade soluçante na voz.[1] Outros nomes, como a dupla Pena Branca e Xavantinho, seguiam a antiga tradição caipira, enquanto o cantor Tião Carreiro inovava ao fundir o gênero com samba, coco e calango de roda.

    Terceira era

    A introdução da guitarra elétrica e o chamado “ritmo jovem”, pela dupla Léo Canhoto e Robertinho, no final da década de 1960, marcam o início da fase moderna da música sertaneja. Um dos integrantes do movimento musical Jovem Guarda, o cantor Sérgio Reis passou a gravar na década de 1970 repertório tradicional sertanejo, de forma a contribuir para a penetração mais ampla ao gênero. Renato Teixeira foi outro artista a se destacar àquela altura. Naquele período, os locais de performance da música sertaneja eram originalmente o circo, alguns rodeios e principalmente as rádios AM. Já a partir da década de 1980, essa penetração estendeu-se às rádios FM e também à televisão – seja em programas semanais matutinos de domingo ou em trilhas sonoras de novela ou programas especiais.[nota 3]

    Durante os anos oitenta, houve uma exploração comercial massificada do sertanejo, somado, em certos casos, à uma releitura de sucessos internacionais e mesmo da Jovem Guarda. Dessa nova tendência romântica da música sertaneja surgiram inúmeros artistas, quase sempre em duplas, entre os quais, Trio Parada Dura, Chitãozinho & Xororó, Leandro & Leonardo, Zezé Di Camargo e Luciano, Chrystian & Ralf, João Paulo & Daniel, Chico Rey & Paraná, João Mineiro e Marciano, Gian e Giovani, Rick & Renner, Gilberto e Gilmar, além das cantoras Nalva Aguiar e Roberta Miranda. Alguns dos sucessos desta fase estão “Fio de Cabelo”, de Marciano e Darci Rossi, “Apartamento 37″, de Leo Canhoto, “Pense em Mim”, de Douglas Maio, “Entre Tapas e Beijos”, de Nilton Lamas e Antonio Bueno e “Evidências”, de José Augusto e Paulo Sérgio Valle.

    Contra esta tendência mais comercial da música sertaneja, reapareciam nomes como da dupla Pena Branca e Xavantinho, adequando sucessos da MPB à linguagem das violas, e surgiam novos artistas como Almir Sater, violeiro sofisticado, que passeava entre as modas de viola e os blues. Na década seguinte, uma nova geração de artistas surgiu dentro do sertanejo disposta a se reaproximar das tradições caipiras, como Roberto Corrêa, Ivan Vilela, Pereira da Viola e Chico Lobo e Miltinho Edilberto. Atenta, a indústria fonográfica lançou na década de 2000 um movimento similar, chamado sertanejo universitário, com nomes como Guilherme & Santiago, Marcos e Léo, João Bosco & Vinícius, César Menotti & Fabiano, Jorge & Mateus, Victor & Leo Fernando & Sorocaba,Luan Santana , Marcos & Belutti, João Neto & Frederico. Como esse movimento não para e ganha cada vez mais adeptos, o mercado que antes tinha como foco de surgimento de duplas e artistas sertanejos no estado de Goiás, hoje tem eleito novos ídolos do estado de Mato Grosso do Sul como a revelação escolar Luan Santana e a dupla Maria Cecília & Rodolfo. Porém, Goiás não deixou de revelar grandes nomes no cenário nacional, surgiram os já citados Jorge & Mateus e João Neto e Frederico sem falar de grandes artistas vinculados ao sertanejo mais massificado da década anterior, como Guilherme & Santiago, Bruno & Marrone, Edson & Hudson, e outros.

    Quarta era

    Começa a reciclagem do Sertanejo Universitário, os artistas começam a divisão músical, boa parte retorna para as influências da moda de viola ou “modão” como os artistas estão preferindo chamar o novo seguimento e começa a surgir CDS com o subtítulo de “só modão”. Já outra parte segue as tendências do sertanejo romântico do passado que é o caso de artistas como Eduardo Costa e Léo Magalhães.

    Sertanejo Universitário

    O Sertanejo Universitário, mudou muito a forma do sertanejo convencional, já que alguns instrumentos como a sanfona, se tornaram mais eletrônicos, assim, tornando a música com um ritmo um pouco mais acelerado. Sua composição tem como temas de festas, mulheres, por vezes engraçada, e chama-se sertanejo Universitário pelo fato de que seus maiores apreciadores são adolescentes.

    Algumas Duplas Sertanejas

     Adalberto & Adriano / Alan & Aladim / Alvarenga & Ranchinho / André & Andrade / André & Adriano / Ataíde & Alexandre / Belmonte e Amaraí / Bruno e Marrone / Cacique & Pajé / Carlos Leite e Miraí / Cascatinha & Inhana / Celia & Celma / César Menotti & Fabiano / Cezar & Paulinho / Chico Rey & Paraná / Chitãozinho & Xororó / Chrystian & Ralf / Craveiro & Cravinho / César Oliveira & Rogério Melo / Diego & Diogo / Dino Franco & Mouraí / Don & Juan / Duduca e Dalvan / Duo Glacial / Délio & Delinha / Ed & Fábio Cezar / Edson & Hudson / Felipe & Falcão / Fernando & Sorocaba / As Galvão / Gian & Giovani / Gilberto & Gilmar / Gino & Geno / Guaporé & Guarani / Guilherme & Santiago / Guto & Nando/ Hugo e Tiago / Hugo Pena / & Gabriel / IIrmãs Freitas / Jacó e Jacozinho / Jararaca e Ratinho / João Paulo & Daniel / Joaquim & Manoel / Jordão e Jordel / Jorge & Mateus / João Bosco & Vinícius / João Lucas & Matheus / João Mineiro e Marciano / João Mulato e Douradinho / João Neto & Frederico / João Pedro & Cristiano / Leandro e Gustavo / Léo Canhoto e Robertinho / Liu & Léu / Lourenço & Lourival / Lucas & Luan / Luizinho & Limeira / Marcelinho de Lima & Camargo / As Marcianas / Marcos & Belutti / Maria Cecília & Rodolfo / Marlon & Maicon / Matogrosso & Mathias / Maurício & Mauri / Mayck e Lyan / Milionário & José Rico / Os Nonatos / Pardinho & Pardal / Pedro Bento & Zé da Estrada / Pedro e Thiago / Pena Branca e Xavantinho / Praião & Prainha / Ramon & Ranieri / Renê & Ronaldo / Rick & Renner / Rionegro & Solimões / Rogério & Adriano / Rosa e Rosinha / Rud & Robson / Teodoro & Sampaio / Tião Carreiro & Pardinho / Tonico & Tinoco / Tony Francis & Diego / Torres e Florêncio / Torrinha e Canhotinho / Tostão e Guarani/ Victor & Leo / Walmir e Wilmar / Wilian & Renan / Zé Fortuna & Pitangueira / Zezé Di Camargo & Luciano / Zico & Zéca / Zilo e Zalo / Zé Henrique & Gabriel / Zé Mulato & Cassiano

    Bibliografia

    NEPOMUCENO, Rosa. Música Caipira: da roça ao rodeio. Editora 34. 1999. “Goiás – o berço da música sertaneja”.

    Notas

    [1] Nesta período, segundo a professora e pesquisadora Marta de Ulhôa Carvalho, “os cantadores interpretavam modas de viola e toadas, canções estróficas que após uma introdução da viola (repique) falavam do universo sertanejo numa linguagem essencialmente épica, muitas vezes satírico-moralista e menos frequentemente amorosa. Os duetos em vozes paralelas eram acompanhadas pela viola caipira, instrumento de cordas duplas e vários sistemas de afinação (como cebolinha, cebolão, rio abaixo) e mais tarde também pelo violão.” – CARVALHO, Marta de Ulhôa. Musica sertaneja em Uberlândia. Uberlândia: UFU, 1993

    [2] Segundo Marta Ulhôa, “A polca paraguaia e a guarânia caracterizam-se pela flutuação rítmica de compassos binário composto e ternário simples, em justaposição ou alternância. A canção ranchera é uma espécie de valseado, e o corrido usa a levada da polca europeia, isto é, um binário simples em andamento rápido, enfatizando os inícios de tempo do compasso e usando notas bastante rápidas na melodia.” – CARVALHO, Marta de Ulhôa. Musica sertaneja em Uberlândia. Uberlândia: UFU, 1993

    [3] Para Marta Ulhôa, nesta fase da música sertaneja: “os cantores alternam solos e duetos para apresentar canções, muitas vezes em ritmo de balada, que tratam principalmente de amor romântico, de clara inspiração urbana. Algumas canções classificadas como sertanejas nas paradas de sucesso são às vezes interpretadas totalmente por solistas, dispensando o recurso tradicional da dupla. Os arranjos instrumentais dessas músicas adicionam instrumentos de orquestra além da base de rock, já incorporada ao gênero. A unidade estilística da música sertaneja é conseguida pelo uso consistente do estilo vocal tenso e nasal e pela referência temática ao cotidiano, seja rural e épico na música sertaneja raiz, seja urbano e individualista na música sertaneja romântica.” – CARVALHO, Marta de Ulhôa. Musica sertaneja em Uberlândia. Uberlândia: UFU, 1993

    Referências

    [1] a b c d e f g h Música Sertaneja – Dicionário Cravo Albin da Música Popular Brasileira

    [2] a b Música Sertaneja em Uberlândia na Década de 1990 (Relato) – Por Marta Tupinambá de Ulhôa

    [3] MARTINS, José de Souza. “Música sertaneja: a dissimulação na linguagem dos humilhados” in Capitalismo e tradicionalismo: estudos sobre as contradições da sociedade agrária no Brasil. São Paulo, Pioneira, 1975.

    [4] CALDAS, Waldenyr. Acorde na aurora: música sertaneja e indústria cultural. 2ª ed. São Paulo, Ed. Nacional, 1979.

    [5] RIBEIRO, José H. Música Caipira: da roça ao rodeio . São Paulo: Editora 34 Ltda, 1999.

    Texto reelaborado a partir da Wikipédia.