• Livro: “A Região da Boiadeira: o Noroeste Paulista”

    Date: 2011.10.01 | Category: CECMundoRural | Tags: ,,,,,,,,,,

    Bom Dia Amigos do Mundo Rural!

    Gostaria de divulgar a todos o importante livro sobre a “Estrada Boiadeira”: “A Região da Boiadeira: o Noroeste Paulista”. O livro conta como se deu a ocupação do antigo bairro situado entre as cidades de São José do Rio Preto, Guapiaçu e o distrito de Talhado a partir de 1837, bem antes do início do núcleo formado por João Bernardino de Seixas Ribeiro – a Vila de São José do Rio Preto. Foi lançado em junho de 2010 foi escrito a seis mãos por Sandro Ferrari, Antonio Carlos de Carvalho e Jocelino Soares. Jocelino Soares conta como foi o projeto do livro:

    “Estou envolvido em um projeto com algumas pessoas para resgatar a memória da estrada boiadeira. No seu antigo traçado ela partia de Jaboticabal passando por Rio Preto em direção a Porto do Taboado. Outro ramal partindo de Barretos juntava-se à estrada nas cercanias de Rio Preto. O projeto consiste em georreferenciar a estada boiadeira, ou seja, marcar no mapa o verdadeiro traçado usado pelos nossos antepassados. Até porque ela sofreu algumas alterações no decorrer dos anos e o projeto tem por finalidade buscar o percurso aproximado. Em companhia do professor Antonio Carlos de Carvalho e do engenheiro cartógrafo Carlos Henrique Gomes de Souza, partimos em direção à boiadeira nem bem o sol havia nascido. Naquela manhã de sábado o céu estava límpido, de um azul intenso, muito diferente do dia anterior quando a chuva não deu tréguas, encharcando a velha e histórica estrada de terras por onde tudo começou. No carro, além de máquinas fotográficas para registrar o feito, o engenheiro cartógrafo disponibilizou uma parafernália de equipamentos para registrar ponto a ponto o trajeto que nós iríamos percorrer. Ligado a cinco satélites, o equipamento marcava segundo por segundo o nosso deslocamento em um GPS (Global Positioning System) com uma voz feminina nos informando a direção na qual deveríamos seguir. Do lado de dentro do veículo, uma antena externa presa numa haste em forma de um pequeno chapéu chamava a atenção dos passantes. Lá fomos nós na “aventura” de documentar, georreferenciar e dar a palavra final no quesito estrada boiadeira.

    A estrada em alguns trechos nos emociona pelo bucolismo, por serpentear as propriedades. Em outros, nos entristece pelas imensas plantações de canas a perderem-se de vista, e o pior: as árvores foram arrancadas para dar lugar à cana. Um aforismo tibetano diz que, quando agredimos a natureza, ela não se defende, ela só se vinga. Os exemplos estão aí. Com muitas idas e vindas por entre os canaviais, depois de muito perguntar aos caboclos, chegamos à barranca do Rio Cachoeirinha no município de Olímpia. Surpresa. A ponte caiu há mais de vinte anos e a nova se encontra em Baguaçu, aguardando o dia da sua colocação sobre o rio. Quando, não se sabe. No local, existe um rancho muito bem cuidado pelos amigos Pedro Duílio e João Bernardinelli, ambos de Olímpia. O rancho é um verdadeiro santuário ecológico. Presenciamos se alimentando no cochinho feito de taboca vários pássaros que estavam em vias de extinção na nossa região, entre eles o canário da terra, tico-tico rei, tucanos e outros mais. O sol já descambava no horizonte quando passamos por Ibitu onde conhecemos o senhor José Gonçalves, de 86 anos, um autêntico boiadeiro que conhece como ninguém a estrada boiadeira e a sua história. O “seu” Gonçalves iniciou na lida da boiada aos 12 anos como ajudante de cozinha. Viajou os estados de São Paulo, Goiás, Minas e Mato Grosso comprando e vendendo boiadas. Contou ele que, quando saía de Barretos, levando boiada magra com destino a Porto Taboado e passando por Rio Preto, a marcha era de quatro dias. Chegamos ao nosso destino. Ficou a sensação de missão cumprida e, uma certeza: nossos avós foram os grandes heróis do sertão”.

    JOCELINO SOARES

    Artista Plástico e Membro da Academia Rio-pretense de Letras e Cultura

    Website do Artista: www.jocelinosoares.com.br