• Debate de Lançamento do Centro de Estudos e Culturas do Mundo Rural – Dia 18-03-2011 – Ibilce – Unesp – 8h:00min.

    Date: 2011.03.02 | Category: CECMundoRural | Tags: ,,,,,,,,,,,,

     

    Bom Dia Amig@s do Mundo Rural!

    No dia 18-03 de 2011, a partir das 8h:00min., durante o 2º Seminário “O Trabalho no Século XXI” haverá a apresentação do filme “João de Barro” (direção: Raffaele Rossi, 1970). Logo após a exibição do filme haverá uma mesa redonda de lançamento do Centro de Estudos e Culturas do Mundo Rural, com o conferencista Jocelino Soares (Centro de Tradição Caipira de São José do Rio Preto – SP – CTC – Rio Preto)  e coordenada pelo Prof. Dr. Fábio Fernandes Villela (UNESP / Rio Preto)

     O filme João de Barro de Raffaele Rossi de 1970 foi rodado no distrito de Talhado de São José do Rio Preto – SP – Brasil. Segundo a sinopse, o filme conta a estória de João de Barro, um rapaz ingênuo, cobiçado pelas meninas de uma pequena cidade do interior – Talhado. Para João só existem as canções sertanejas que canta e seu trabalho na olaria. Porém, João é perseguido pelos rapazes, enciumados com o sucesso com a garota mais bonita da cidade. O filme tem como elenco atores como, Renata Gadú, Ivan Carlos, Zé do Paiol e Shirlei Stech.

    Raffaele Rossi, (Arsiero, Itália, 1938 — Embu Guaçu, São Paulo, 2007), foi um cineasta e roteirista ítalo-brasileiro, tido como um dos grandes diretores do gênero pornochanchada. Chegou ao Brasil em 1954. Sua ligação com o cinema começou em 1963 com a venda de equipamentos. Depois de alguns curtas, e com certa vivência em outros filmes em que fez fotografia, edição e produção, por volta de 1971 aventurou-se na direção em O Homem Lobo, que escreveu e interpretou. Embora o erotismo predomine em sua filmografia, arriscou-se por outros gêneros, como o horror.  

    O colunista José Luís Rey, do Jornal Bom Dia de Rio Preto, repõe a história do filme em sua crônica “O filme esquecido”: “Nem adianta procurar, o verbete aparece em pouquíssimos dicionários e compêndios sobre o cinema brasileiro. Mesmo assim, acabo topando, num cantinho da memória, com mais um caso de filme rodado em Rio Preto e, ao que parece, condenado ao cemitério das produções nunca ou muito pouco exibidas. Já acontecera antes com o abortado “A Hora dos Ruminantes”, do cineasta José de Anchieta, que chegou a rodar uma série de sequências e depois engavetou o projeto.

     Quando chegou a Rio Preto, em 1978, disposto a colocar suas mãos de Midas no nicho dos filmes de temática sertaneja, o presidente do Grupo Paris Filmes, Alexandre Adamiu, parecia muito animado. A escolha do cenário, além – é claro – da óbvia identificação entre a cidade e o universo caipira, obedecia também a uma conveniente associação de negócios: a Paris Filmes havia se tornado, pouco tempo antes, a proprietária do prestigiado Cine Central e pretendia investir na região.

     Na época, a participação da empresa em uma produção cinematográfica era meio caminho andado para o sucesso: como grande distribuidora e exibidora, a Paris tinha nas mãos a faca e o queijo para alavancar suas próprias produções. A ideia não poderia ser mais simples: filmar uma história baseada na música “João de Barro”, de Teddy Vieira e Muíbo Cury.

     Adamiu convidou o diretor Rafaelle Rossi – autor de feitos como “A Gata Devassa” e “Roberta, a Gueixa do Sexo”. O elenco reunia belas mulheres, como as atrizes Renata Candu e Shirley Steck, que já haviam se despido em títulos como “Internato das Meninas Virgens” e “Uma Cama Para Sete Noivas”. O protagonista tinha que ser um cantor e, certamente por razões financeiras, a escolha recaiu sobre o obscuro Ivan Carlos, um jovem que tentava iniciar a carreira entoando canções sertanejas, que, então, começavam a se popularizar pelo país.

     O filme foi rodado no povoado de Talhado e, entre alguns participantes locais, contou com uma “ponta” do radialista Olívio Campanha, o “Cuiabano”, que não fazia mais do que entrar no bar, dar um tapa no balcão e pedir uma cachaça. Na história, Ivan Carlos interpretava um rapaz ingênuo e humilde, operário de uma olaria, que gostava de cantar músicas românticas e por isso tornara-se muito popular entre as garotas do lugarejo e, ao mesmo tempo, odiado pelos demais rapazes.

     Não é difícil imaginar o que seguia, até que o oleiro resolvesse expulsar de casa a amada que o enganava, fazendo exatamente o contrário do que o João de Barro fizera na música (“cego de dor, trancou a porta da morada / deixando lá a sua amada / presa pro resto da vida”).

     Acho que o filme foi exibido alguns dias no Cine Central, mas jamais foi lançado em São Paulo e em outros lugares. A carreira do cantor parece ter tido idêntica efemeridade, embora Ivan Carlos tenha vivido minutos de celebridade, como no dia em que recebeu jornalistas para uma entrevista no apartamento onde estava hospedado, no elegante Augustus Hotel, no Centro. A certa altura, pediu para interromper a entrevista, discou um número no telefone e exultou:

     –Manhê! Você não vai acreditar… Até a imprensa tá aqui me entrevistando!!!” (Texto de José Luis Rey retirado de: http://www.redebomdia.com.br/Artigo/1227/O+filme+esquecido).

    Saudações, até lá! Prof.  Fábio Fernandes Villela.